Endourologia e videolaparoscopia são as duas famílias de cirurgia minimamente invasiva da urologia. Em vez de uma incisão grande, o acesso é feito pelas vias naturais do aparelho urinário ou por pequenos orifícios na parede abdominal, com câmera e instrumentos delicados.
Na prática, isso costuma significar menos dor no pós-operatório, internação mais curta e retorno mais rápido à rotina, com o mesmo objetivo terapêutico da cirurgia aberta. O Dr. Robson Laranja é especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia, com residência no IAMSPE e certificação em cirurgia robótica e minimamente invasiva.
O que é endourologia?
Endourologia é a cirurgia feita por dentro do trato urinário, sem nenhum corte externo. O instrumento entra pela uretra e o cirurgião trabalha vendo tudo por uma câmera. É a abordagem de escolha para boa parte dos cálculos e para o aumento benigno da próstata.
- RTUP (ressecção transuretral da próstata): retira o tecido prostático que obstrui a passagem da urina, no caso da hiperplasia prostática benigna.
- Ureteroscopia: alcança o cálculo dentro do ureter ou do rim e o fragmenta com laser, permitindo a retirada dos fragmentos na mesma cirurgia.
- Nefrolitotripsia percutânea: indicada para cálculos grandes ou complexos, por um orifício de poucos milímetros no flanco.
- Cistoscopia cirúrgica: diagnóstico e tratamento de lesões da bexiga.
O que é videolaparoscopia?
Na videolaparoscopia o acesso é por pequenas incisões (em geral de 0,5 a 1 cm) pelas quais entram uma câmera de alta definição e as pinças cirúrgicas. O cirurgião opera acompanhando a imagem ampliada em um monitor, o que dá visão detalhada de estruturas profundas da pelve e do abdome.
A cirurgia robótica é uma evolução dessa técnica: os instrumentos ganham articulação semelhante à do punho e a imagem passa a ser tridimensional, o que ajuda em áreas de difícil acesso, como a próstata. É especialmente relevante na prostatectomia radical, em que a precisão influencia diretamente a preservação da continência urinária e da função erétil.
- Prostatectomia radical laparoscópica ou robótica, no câncer de próstata.
- Nefrectomia total ou parcial, nos tumores de rim.
- Pieloplastia, para correção de obstrução na junção do rim com o ureter.
- Adrenalectomia e cirurgias do ureter.
Quando cada técnica é indicada?
A escolha não é uma questão de preferência: depende do órgão envolvido, do tamanho e da localização da lesão ou do cálculo, da anatomia do paciente e de cirurgias anteriores. Como regra geral, problemas dentro do trato urinário tendem à endourologia, e situações que exigem remover ou reconstruir um órgão tendem à laparoscopia ou à robótica.
Nem todo caso é candidato à via minimamente invasiva, e a cirurgia aberta continua sendo a melhor opção em situações específicas. Essa definição é feita na consulta, com os exames de imagem em mãos.
Como é a recuperação?
Varia conforme o procedimento. Cirurgias endourológicas de menor porte costumam permitir alta no mesmo dia ou no dia seguinte, com retorno às atividades leves em poucos dias. Procedimentos laparoscópicos e robóticos de maior porte, como a prostatectomia e a nefrectomia, envolvem internação um pouco maior e retorno progressivo às atividades ao longo de algumas semanas.
Em todos os casos há orientação escrita de pós-operatório e retornos programados para acompanhar a cicatrização e o resultado funcional.
Perguntas frequentes
Não. Nas indicações corretas, o objetivo do tratamento é o mesmo: o que muda é a via de acesso. A diferença aparece no pós-operatório: menos dor, menos tempo de internação e retorno mais rápido à rotina.
A endourologia é utilizada principalmente no tratamento de cálculos renais e ureterais, através de exames endoscópicos pelas vias naturais. Já a videolaparoscopia é empregada em diversas cirurgias urológicas, como nefrectomia (retirada total ou parcial do rim), pieloplastia (correção de obstrução da junção ureteropiélica), varicocelectomia e remoção de cistos renais, sempre por meio de pequenas incisões.
As duas usam pequenas incisões e câmera. Na robótica, o cirurgião comanda instrumentos articulados a partir de um console, com imagem em três dimensões, o que amplia a precisão em espaços estreitos como a pelve.
Na endourologia não há corte externo, portanto não há cicatriz. Na videolaparoscopia ficam algumas marcas pequenas, de 0,5 a 1 cm, que costumam se tornar discretas com o tempo.
Em casos raros, durante a cirurgia podem surgir situações que exijam a conversão para a técnica aberta, geralmente por questões de segurança, como sangramento ou aderências inesperadas. Essa possibilidade é sempre discutida antes do procedimento, mas na grande maioria dos casos a cirurgia é concluída integralmente pela via minimamente invasiva.
O tempo de internação varia conforme o procedimento realizado, mas em geral é significativamente menor do que na cirurgia aberta. Na maioria dos casos, a alta ocorre entre 24 e 48 horas.
Esses procedimentos são realizados sob anestesia geral, garantindo conforto total e segurança durante toda a cirurgia.
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